eu nescessito de fazer o novo, o imediato,
tirar poeira de meus ombros,
resceber um passe, benção de Oxalá,
tocar uma gaita até me levantar dos escombros,
olhar para o céu, sentir o sentido do ar!
trocar essas roupas, antigas de outra hora
me redesenhar a lapis e tinta guache
vendo minhas mãos ganhando formas novas,
chamem as crianças, elas do mundo inteiro
pintem meu corpo na praça da Sé!
Os políciais, indignados, queirão me prender
os padres a me condenar,
as mães o seus filhos esconder,
até que meu corpo seja, tons claros e luminosos sem fim
Como artista de Zé Celso a olhar para o céu,
pedirei ao infinito, em transe, me concecte
ao círculo final de toda existencia,
o azul do céu, deramará sobre mim como cachoeira,
e meu sangue há de fluir junto ao horizonte da tarde,
e minha alma há de ruflar no céu,
como poeira de estrela!